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Imagine nascer sabendo que você tem pouco tempo de vida.
Não aquele pouco tempo das frases de efeito sobre como a vida é um sopro. Pouco tempo mesmo.
É mais ou menos assim que começa a vida de Barry B. Benson, a abelhinha de Bee Movie: A História de uma Abelha. Em poucos minutos, ele passa pelo que, para nós, levaria anos: infância, adolescência, estudos e, finalmente, a formatura.
Sua vida parece rodar em velocidade 5x e justamente por isso, não tem tempo a perder, precisa escolher o que fazer pelo resto da vida.
Mas a trajetória de abelha-padrão acaba aí.
Barry é diferente, ele questiona.
Por que fazer isso? Por que repetir o que todos fazem?
Essa talvez seja a pergunta mais humana de todo o filme, e nos faz perceber que agimos no automático como abelhas em muitas questões.
Passamos a vida estudando para sermos bem pagos, construir um patrimônio, formar uma família, criar filhos. Chegar a algum lugar.
E, se tudo der certo, ser feliz.
Nada disso parece estranho, pelo contrário, é o padrão, e talvez esse seja justamente o problema. Seguimos por uma via asfaltada, cheia de placas e ainda nos achamos únicos. Pois no fundo sabemos que questionar é pegar um facão, cortar o mato e criar sua trilha.
Seguimos o padrão social para levarmos uma vida boa segundo a sociedade, sem desconforto de cortar mato, mas sem o prazer da descoberta de lugares novos.
E é aqui que a abelhinha encontra um condenado, na mitologia grega, a empurrar uma pedra eternamente montanha acima.
Hoje analisaremos como fazer apenas o que se esperam de nós equivale a levar pedras sobre as costas, e ainda dizer sorridente que faz bem para as costas.
Continua…
